O primeiro momento do luto é assustador. Comigo foi assim: como se eu estivesse em um barco, tranquilo, sereno, seguro… e, de repente, ele virasse.

Ao olhar ao redor, o barco já não existia. Só havia uma imensidão de oceano.

Nesse instante, sentimos que vamos afogar, que nada faz sentido, que não há porto seguro à vista. Mas, lá na distância, surge uma ilha ou outro barco. Não sabemos se é real ou apenas miragem, mas, mesmo assim, algo dentro de nós cria força.

Essa força nos faz continuar tentando. E, aos poucos, percebemos que aprendemos a boiar. Ainda não saímos do lugar, mas já não afundamos.

Continuamos, movendo nossos braços, e finalmente o corpo responde: avançamos, ainda que devagar. É quando entendemos que é possível seguir, que não precisamos mais apenas resistir. Durante esse naufrágio, há momentos de medo… mas também de encantamento: golfinhos, o brilho do sol na água, fenômenos da natureza que surpreendem e acalmam.

Então, chegamos a outro barco. Mas agora há medo. O trauma do primeiro naufrágio nos acompanha, e a confiança não é mais a mesma. Não sabemos ao certo para onde remar. Esse novo barco se torna nosso lar provisório: ele nos permite navegar entre pequenas ilhas, mas não nos prende, porque o desejo de seguir existe.

Aprendemos, enfim, a conviver com o oceano e com o luto. Ele não passa, mas podemos preencher os espaços ao redor dele. O oceano continuará vasto e assustador… mas agora sabemos sobreviver nele.

Se você está tendo dificuldade em aprender a nadar nesse oceano, entre em contato e vamos tentar juntos.

Gisela Oliveira

Psicanalista

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